Sala de Aula

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

DICA: Livro FALAR EM PÚBLICO- Experiência de Mal-estar na Trajetória Profissional Contemporânea.


O que implica falar em público? a que sentimentos nos remete a ideia de nos expormos ao desconhecido? o que está por trás do medo e da insegurança? qual a essência do problema? o que acontece no mundo subjetivo do sujeito ao ter que expor em público?

Uma boa leitura para quem quer responder a essas e a outras questões do ato de falar em público  é o livro FALAR EM PÚBLICO: Experiência de Mal-estar na Trajetória Profissional Contemporânea, de Nazildes Santos Lobo,Ed Escuta. O livro é o resultado de uma dissertação de mestrado em psicologia que investiga com olhar criterioso essa atividade e suas implicações.

Nazildes Santos faz uma análise aprofundada do que significa “medo de falar em público”, ampliando e diferenciando os diversos aspectos embutidos nesta concepção. No livro, a autora trabalha os aspectos históricos da oratória,fazendo um panorama do início aos tempos atuais. Mostra como , cada vez mais, os profissionais são requisitados para se exporem para diferentes público e como isso repercute psicologicamente na sua performance. Busca aprofundar em suas análises o que está pro trás deste medo. Para isso a autora trabalha com diversos autores como Freud,  Cabas , Lacan,Santo Agostinho, Polito entre outros .

Segundo Nazildes “ Expor suas ideias em público é uma atividade que desperta, na maioria das pessoas, sensações desagradáveis,sentimentos de queixas e dificuldade, que o senso comum generaliza como sendo medo, ou como temor,e que, neste estudo trataremos como mal-estar. Essas sensações desagradáveis não nos remetem a fatos isolados, estanques, mas para modos de interpretar experiências que se diferenciam entre os sujeitos quando falam em público, sendo viva a expressão dos seus problemas diante deste ato”.


Livro: FALAR EM PÚBLICO: Experiência de Mal-estar na Trajetória Profissional Contemporânea, de Nazildes Santos Lobo,Ed Escuta.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

DILEMAS DE UM FACILITADOR: A HORA DO FEEDBACK



Quando o aluno adulto vem para a sala de aula ele traz uma bagagem imensa, em vários aspectos. Histórias de vida, cursos anteriores, expectativas, humor do dia, pessimismo, otimismo, crença , descrença, conhecimentos vários, dúvidas, medos, cicatrizes e muitas tantas outras coisas.

Dependendo do tipo de curso, se é mais ou menos interativo, o aluno vai dispondo do que ele tem e vai se mostrando um pouco a cada aula.

Em cursos mais formais você consegue saber mais ou menos quem é o aluno pelos gestos e falas de participação. Em cursos mais interativos você percebe o aluno em uma dimensão maior, do individual ao social.  

E esse infinito universo que e´o aluno ,quando participa de cursos em que é necessário produzir material, seja um artesanato, um texto, um vídeo, uma foto, enfim, ele se expõe bem mais. É o momento de colocar em cheque sua capacidade de expressar com as ferramentas que tem o com tudo o que sabe. Traz consigo “fantasmas” amigos ou não, que o atormentam ou o auxiliam nas tarefas. 

As vezes é o medo de estar errado, de não fazer certo, de se expor, ou a certeza de que tira de letra, de que é o máximo e assim por diante. Lembranças da professora da infância dizendo que ele não tinha o menor talento para isso e assim por diante.
Seja lá que fantasma for, não dá para esconde-lo por muito tempo. Na hora de produzir e compartilhar, na hora de receber feedback  pelo que foi feito ele aparece , as vezes sutil, as vezes de forma gritante.
Nesse momento uma estranha fragilidade toma conto daquele adulto. E por incrível que pareça ela não é óbvia. Em alguns casos se apresenta como uma certa impaciência, uma queixa, uma atitude agressiva e cínica, uma frase auto-depreciativa.

Então você percebe que está em jogo muito mais que um colar que ainda precisa melhorar( afinal é um curso, e ele está aí pra isso). Mas é uma expressão de tudo o que ele conviveu esteticamente e na sua vivência educacional, entre outras, expressa em um colar.
Esse é o momento crucial da relação facilitador - aluno. O que fazer quando o aluno mostra sua produção? o que está em jogo nesse momento?você está lá para orientar. O que fazer agora?
Existem milhares de respostas. Depende do curso, do facilitador, enfim de muitas coisas.
Mas é esse, com certeza, o momento que define o rumo do curso, o rumo da ideia , do trabalho, enfim. É um momento de cautela.

É fundamental definir antes o que fazer nesse momento, definir qual o objetivo do curso. levar em conta sempre quem está por trás do objeto exposto e tudo o que ele traz na sua bagagem para a sala de aula. Mostrar que você está lá para orientar, não para agredir, humilhar ou relevar o que pode melhorar. Momento de criar uma relação de confiança.  

E descobrir a  dose certa do que fazer e falar é um exercício constante na vida de um facilitador.
Se tiver sugestões, histórias, ideias sobre esse tema compartilhe com a gente.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Paciência e conhecimento


Ter paciência é fundamental para dar aula para adultos. E paciência exige tempo. tempo para conhecer o outro, o seu aluno, tempo para se conhecer . Para ver como você transita em uma sala de aula com o mínimo de julgamento e o máximo de compreensão . A compreensão dos processos que acontecem dentro da sala de aula, dentro do seu aluno.

Você com certeza terá uma plateia tão diversa que mais parece uma pequena amostra  da natureza humana em sua riqueza e desafios profundos...e você no meio de tudo isso, tendo que lidar com os diferentes e alguns iguais.

Paciência, paciência e mais paciência. Cada aluno com seu tempo diferente. Tudo bem. Assim é a vida. Ele disse que não entendeu, depois de você repetir 5 vezes. Ele pode realmente não ter entendido. Tudo bem. Você também não entende muitas coisas da primeira vez que conhece algo novo. Respira. Imagina uma estrada com muitos caminhos. Vai com ele por um desses caminhos , ou por vários, quantas vezes for preciso, mas conhecendo o seu limite e o dele. Você se propôs a ensinar. Você está ali para isso.

Se está difícil estude. Quanto mais você entender como funciona o processo de aprendizagem mais fácil será trilhar esse caminho.

E depois você vai perceber o ganho que isso traz para o teu trabalho, e um ganho também para sua vida.

FACILITANDO OFICINAS: ONDE TUDO COMEÇOU

FACILITANDO OFICINAS: COMO ESCOLHI ESSE TÍTULO

Esse blog é para compartilhar experiências e dicas sobre facilitação de oficinas e cursos para adultos.
O título do blog foi uma homenagem a primeira e marcante capacitação em Facilitação de Oficinas que participei : Facilitando Oficinas: Da Teoria a Prática. uma atividade do Grupo de Estudo do terceiro Setor-GETS e United Way do Canadá.

Segue link da publicação : http://www.iteco.be/sites/www.iteco.be/IMG/pdf/Facilitando_oficinas.pdf

Foi uma capacitação que me ofereceu elementos e ferramentas teóricas e práticas para trabalhar com oficinas. Eu indico essa publicação para quem quer conhecer um pouco mais sobre o tema.

QUANDO TUDO COMEÇOU

Sempre tive talento para artes. No ginásio as minhas coleguinhas diziam:você vai ser professora de educação artística. Eu abominava essa ideia. A minha professora na época dava desenhos para a gente copiar e ficava sentada na mesa fazendo outras coisas. Não queria ser como ela. Nem todos eram assim. Também tive um ótimo professor de artes, paciente, interessado e, que, entre muitas coisas cantava nas aula.

Mesmo assim não imaginava que um dia fosse dar aula. Muitas coisas aconteceram . Muitos cursos muitos  professores depois, me mantive convicta que não tinha o menor talento para tal empreitada.

De volta a São Paulo, participei de um grupo de estudos de Educação Ambiental na Fundação SOS Mata Atlântica. Os temas debatidos eram tão instigantes e interessantes , o professor Fabio Cascino conduzia o debate tão apaixonadamente que destravei a língua. Comecei a falar, a emitir opinião, a descordar, a ser ouvida. O que eu tinha a falar era mais importante que minha timidez.

Formamos um grupo de amigos Luciana, Paulo e Vinicius, todos vindo desse grupo de estudo, e começamos a dar palestra sobre Educação Ambiental.

A  partir daí vieram muitos desafios, participei de várias capacitações, e hoje dou aula na educação informal. E sabe do quê? Aula de artes manuais, entre outros temas.