Quando o aluno adulto vem para a sala de aula ele traz uma bagagem imensa, em vários aspectos. Histórias de vida, cursos anteriores, expectativas, humor do dia, pessimismo, otimismo, crença , descrença, conhecimentos vários, dúvidas, medos, cicatrizes e muitas tantas outras coisas.
Dependendo do tipo de curso, se é mais ou menos interativo, o aluno vai dispondo do que ele tem e vai se mostrando um pouco a cada aula.
Em cursos mais formais você consegue saber mais ou menos quem é o aluno pelos gestos e falas de participação. Em cursos mais interativos você percebe o aluno em uma dimensão maior, do individual ao social.
E esse infinito universo que e´o aluno ,quando participa de cursos em que é necessário produzir material, seja um artesanato, um texto, um vídeo, uma foto, enfim, ele se expõe bem mais. É o momento de colocar em cheque sua capacidade de expressar com as ferramentas que tem o com tudo o que sabe. Traz consigo “fantasmas” amigos ou não, que o atormentam ou o auxiliam nas tarefas.
As vezes é o medo de estar errado, de não fazer certo, de se expor, ou a certeza de que tira de letra, de que é o máximo e assim por diante. Lembranças da professora da infância dizendo que ele não tinha o menor talento para isso e assim por diante.
Seja lá que fantasma for, não dá para esconde-lo por muito tempo. Na hora de produzir e compartilhar, na hora de receber feedback pelo que foi feito ele aparece , as vezes sutil, as vezes de forma gritante.
Nesse momento uma estranha fragilidade toma conto daquele adulto. E por incrível que pareça ela não é óbvia. Em alguns casos se apresenta como uma certa impaciência, uma queixa, uma atitude agressiva e cínica, uma frase auto-depreciativa.
Então você percebe que está em jogo muito mais que um colar que ainda precisa melhorar( afinal é um curso, e ele está aí pra isso). Mas é uma expressão de tudo o que ele conviveu esteticamente e na sua vivência educacional, entre outras, expressa em um colar.
Esse é o momento crucial da relação facilitador - aluno. O que fazer quando o aluno mostra sua produção? o que está em jogo nesse momento?você está lá para orientar. O que fazer agora?
Existem milhares de respostas. Depende do curso, do facilitador, enfim de muitas coisas.
Mas é esse, com certeza, o momento que define o rumo do curso, o rumo da ideia , do trabalho, enfim. É um momento de cautela.
É fundamental definir antes o que fazer nesse momento, definir qual o objetivo do curso. levar em conta sempre quem está por trás do objeto exposto e tudo o que ele traz na sua bagagem para a sala de aula. Mostrar que você está lá para orientar, não para agredir, humilhar ou relevar o que pode melhorar. Momento de criar uma relação de confiança.
E descobrir a dose certa do que fazer e falar é um exercício constante na vida de um facilitador.
Se tiver sugestões, histórias, ideias sobre esse tema compartilhe com a gente.

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